Aliados do senador Flávio Bolsonaro apontam a presença do influenciador Pablo Marçal na reta final da disputa e declarações sobre o Bolsa Família e a Constituição como fatores determinantes para a mudança de cenário entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial.
Segundo pessoas próximas ouvidas pela coluna, o candidato deixou de lado o discurso mais moderado adotado até então e passou a apostar em uma postura mais agressiva. Para elas, essa guinada dificultou a conquista de eleitores indecisos e a manutenção de votos que ainda não estavam consolidados.
A postura agressiva e o impacto no eleitorado de centro
O estilo considerado combativo não funcionou junto ao eleitorado de centro, que passou a enxergar o parlamentar com ressalvas após a adoção de novas orientações de campanha. Entre os episódios citados nos bastidores estão momentos de embate direto e declarações interpretadas como preconceituosas por parte do público moderado.
Para interlocutores políticos, essas atitudes acabaram por afastar parcelas importantes do eleitorado que buscavam propostas pragmáticas e um tom conciliador. A avaliação interna é de que o apelo adotado nos debates televisivos acabou servindo para municiar os adversários na reta decisiva.
Declarações sobre a Constituição e o programa social
Outras falas proferidas após o primeiro turno também alimentaram o que aliados definiram como receio em relação ao grupo político. O senador afirmou publicamente que mudaria a Constituição logo no dia seguinte a uma eventual vitória, gerando forte repercussão negativa.
Na mesma linha, declarações da assessora econômica Daniella Marques a respeito do Bolsa Família foram rapidamente associadas por opositores ao fim do programa social. A artilharia da campanha adversária explorou intensamente o tema para consolidar a rejeição entre beneficiários.
O clima de vitória antecipada e a mobilização partidária
O clima de otimismo excessivo nos bastidores é apontado de forma unânime como um erro de avaliação da coordenação. A conquista de novos apoios políticos levou o grupo a discutir a distribuição antecipada de cargos antes mesmo da confirmação nas urnas, desviando o foco da mobilização popular.
- Discussão precoce de cargos partidários
- Falta de foco na base eleitoral ampla
- Ações de rua restritas ao grupo fiel
- Repercussão negativa de vídeos nas redes
Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro concentrava esforços em atos públicos restritos e produções digitais que geraram controvérsias — como o material divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira —, o adversário intensificava o corpo a corpo e a mobilização nas ruas de todo o país.










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