Ibovespa despenca 10% e B3 aciona parada de emergência após reeleição de Lula

Ibovespa despenca 10% e B3 aciona parada de emergência após reeleição de Lula
Reprodução / Pixabay

A B3 informou nesta segunda-feira (26) que acionou o mecanismo de circuit breaker após registrar uma queda expressiva de 10% do Ibovespa em relação ao fechamento anterior. Com a oscilação drástica e a forte movimentação nos indicadores, a negociação de ativos no mercado à vista acabou suspensa temporariamente pelo período de 30 minutos.

A reação negativa reflete a decepção e os temores do mercado financeiro em relação à política fiscal do país após o resultado do segundo turno das eleições realizado no domingo (25), que consagrou a reeleição do presidente Lula (PT) para o próximo mandato presidencial.

Regras da B3 e ativos afetados pelo bloqueio

A interrupção temporária das operações na bolsa atinge uma ampla gama de produtos financeiros. O bloqueio afeta diretamente a negociação de ações, BDRs, ETFs, opções referenciadas nesses ativos e também títulos de renda fixa privada. Durante a pausa de 30 minutos, ordens de compra e venda que não estiverem participando de leilão podem ser canceladas pelos investidores.

Para garantir a estabilidade do sistema, a B3 reforçou as regras do mecanismo automático de contenção de danos:

  • Primeira etapa: queda de 10% gera interrupção de 30 minutos.
  • Segunda etapa: caso o mercado reabra e a baixa atinja 15%, a suspensão passa para 1 hora.
  • Terceira etapa: em caso de desvalorização de 20%, a bolsa pode suspender os negócios por tempo indefinido.

A instituição financeira detalhou ainda que o procedimento não é acionado nos últimos 30 minutos do pregão. Contudo, se a paralisação ocorrer na hora final de negócios, o encerramento do mercado pode ser prorrogado em até 30 minutos para garantir a devida reabertura e negociação contínua de papéis.

Reação dos investidores e temores com a política fiscal

O forte recuo dos índices no início do pregão evidenciou a cautela e a apreensão de agentes econômicos diante dos rumos das contas públicas do Brasil. A confirmação da vitória do presidente eleito intensificou as incertezas de analistas e gestores em relação às diretrizes fiscais e ao controle de gastos que serão adotados ao longo da nova gestão do governo federal.

A volatilidade acentuada em dias posteriores a pleitos decisivos reflete o ajuste de posições de fundos e investidores estrangeiros. Para acompanhar mais detalhes sobre os normativos e avisos aos participantes do mercado, é possível consultar diretamente o portal da B3.

Registro histórico das paralisações de emergência na bolsa

Com o evento registrado nesta segunda-feira (26), o mecanismo de emergência da bolsa brasileira atinge a marca de 24 acionamentos desde a sua criação. Até então, o recurso havia sido acionado em 23 ocasiões distintas ao longo de crises econômicas e políticas de grande magnitude no país e no exterior.

As primeiras interrupções expressivas ocorreram na crise da Ásia, em 1997, quando os negócios foram pausados nos dias 7 e 12 de novembro. No ano seguinte, em 1998, a crise da Rússia provocou cinco paralisações, sendo que no dia 10 de setembro o sistema travou por duas vezes. Outras interrupções daquele ano foram gravadas em 21 de agosto, além de 4 e 17 de setembro.

Em 1999, durante a crise cambial brasileira, a ferramenta interrompeu as sessões nos dias 13 e 14 de janeiro, momentos em que o Ibovespa atingiu pontuações mínimas históricas de 5.277 pontos e 5.050 pontos, respectivamente. Mais tarde, na crise financeira mundial de 2008 disparada pela concordata do banco Lehman Brothers, a bolsa parou seis vezes: em 29 de setembro e nos dias 6 (duas vezes), 15, 19 e 22 de outubro.

Mais recentemente, o dispositivo entrou em ação no ano de 2017 por conta dos desdobramentos da delação premiada da empresa JBS, que impactou o governo de Michel Temer. Já em 2020, as incertezas globais ligadas à pandemia de coronavírus e o colapso dos mercados internacionais levaram a B3 a acionar a parada emergencial seis vezes, nas datas de 9, 11, 12, 16 e 18 de março.